Internado há mais de 40 anos, paciente cria série de animação dentro do hospital

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Se deixarmos nos levar pelas adversidades da vida, sempre irão existir motivos para nos desmotivar de correr atrás dos nosso sonhos, e impedir que façamos a diferença. No entanto, quem tem um olhar um pouco mais otimista diante da vida, consegue enxergar oportunidades onde a maioria das pessoas só enxergariam adversidades.

Paulo Henrique Machado, 45 anos, é uma dessas pessoas.

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Desde 1 ano de idade, ele mora no Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, devido sequelas de uma grave paralisia infantil, que tirou a mobilidade de parte do seu corpo, obrigando-o a depender de um aparelho para respirar. Como se não bastasse, sua mãe morreu dois dias depois que ele nasceu.

Paulo aprendeu a ler e escrever, e completou o Ensino Médio de dentro do hospital. Autodidata, ele estuda há 21 anos informática e toda a área de softwares, e se especializou na área de audiovisual (incluindo plataforma 2D e 3D). E não parou por aí: como designer,  Paulo desenvolveu campanhas e websites para empresas e profissionais liberais na área da saúde. Com a finalidade de produzir curta-metragens e sua série animada, especializou-se no programa 3D Autodesk Maya, e na concepção de roteiros.

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Eis que ele decidiu usar seu conhecimento, e sua experiência de vida, pra criar uma série de animação voltada para o público infantil. Para isso, ele se juntou com a companheira de quarto e de vida, Eliana Zagui, Léca, também residente no hospital desde muito cedo, pelo mesmo motivo (e autora do livro “Pulmão de Aço – uma vida no maior hospital do Brasil”), ao cartunista e animador Bruno Saggese, e à jornalista Sônia Avallone para criar As Aventuras de Léca e Seus Amigos – projeto que conseguiu financiamento através do site Cartase. A meta inicial era R$ 120.000, e eles conseguiram arrecadar R$ 139.681, sendo que ainda faltam 12 dias para o fim do prazo de arrecadação.

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Voltado ao público infantil, a animação tem como objetivo transmitir uma mensagem de inclusão e valorização das diferenças da forma mais natural e genuína possível, isto é, por meio do tato, do diálogo e principalmente expondo e encarando as dificuldades existentes como elas realmente são, sem qualquer contorno de culpa, caridade, ou vitimização. Segundo Paulo, “Ao colocar as histórias das nossas vidas, minha ideia é que as crianças possam assistir e aprender que o deficiente, numa cadeira de rodas, não é tão diferente assim.”

Fiquem com Paulo comemorando a vitória pela conquista do financiamento coletivo:

Via Hypeness

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Sobre Vitor Souza

tem 25 anos é formado em Engenharia Ambiental e Sanitária. @vitorhc_ E-mail Site Save no Facebook

Publicado em 07/06/2013, em Design, Ser Mais Humano e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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