Entrevista com Cranio: personagens vibrantes e a crítica social

"Dinheiro público "

“Dinheiro público “

Fabio Oliveira, mais conhecido como Cranio, nasceu em 1982 e cresceu na zona norte de São Paulo. Foi no ano de 1998 que Fabio começou a cobrir o cinza dos muros; além de sprays, ele leva em sua mochila muita criatividade e bom humor.

Os índios nasceram após a tentativa de encontrar um personagem com a cara do Brasil. Com um toque azul e uma linha marcante, a figura brasileira está sempre em situações engraçadas que roubam olhares e ainda instigam o observador a pensar sobre questões contemporâneas como consumismo, identidade e meio ambiente.

O artista vem aprimorando seu trabalho e técnica, inovando no contexto, mas sem perder o estilo próprio.

Confira o bate papo com ele:

1- Como e quando se envolveu com a arte? E com o graffiti?

Desde pequeno adorava desenhar, tinha 15 anos quando comecei a grafitar nas ruas de SP na zona norte. Aos poucos fui criando meu estilo e me distanciando do comum encontrado nas ruas.

Mensalão . Devolve!!!

2- Quais são suas maiores influências e referências?

Desenhos animados e Salvador Dalí são as principais.

3- Seus personagens, pelo menos em maioria, tem uma crítica social? Qual é importância da arte na divulgação de opiniões e também como forma de expressão?

Acredito ser importantíssimo colocar uma crítica atrás de um trabalho artístico, caso contrário seria apenas mais um desenho bonitinho nas paredes de galerias e nos muros nas cidades. E também acredito ser importante mostrar um contexto histórico, algo onde as pessoas podem se agarrar, se lembrar, saber o porque disso ou porque daquilo, isso é, as pessoas tem que saber o que está acontecendo em nossa sociedade e abrir os olhos para os problemas. No meu trabalho você vai encontrar muita crítica sobre corrupção, meio ambiente, consumismo e massificação.

Copa do Mundo

4- Qual é a diferença pra você de um trabalho na rua e um trabalho em uma galeria?

Na rua é algo mais rápido, e na galeria vai para uma tela, vira artes plásticas, onde me dedico mais em detalhes e qualidade do produto final, mas a crítica é a mesma.

5- Por que seus personagens são sempre azuis?

Os meus índios são azuis porque eles estão doente, vivendo nessa sociedade injusta, massificada e consumista, estamos destruindo nossas florestas e não estamos nem ai, pois ficamos como zumbis na frente de tvs, iphones ou comprando um tênis bacana.

6- Qual foi o lugar mais bacana que já pintou? Para onde gostaria de ir?

Os fossos dos prédios da Maxhaus, já pintei vários paineis em diversos prédios. É um projeto inovador com curadoria da Zupi, mas hoje estou invadindo diversas fábricas, hospitais abandonados e criticando mesmo o que tem ocorrido em nossa sociedade.

Truck Graffiti

7- Quais são as principais questões que você levanta com os seus personagens?

Meio ambiente, corrupção, saúde, massificação e consumismo, mas tenho começado a abordar diversos outros assuntos que também fazem parte do nosso país. Isso é não vai faltar assunto já que está tudo muito ruim, muito mal administrado e planejado.

8- Você acha que pelo fato dos seus desenhos terem um senso de humor, as pessoas prestam mais atenção?

Acredito que deve-se a mistura do estilo que eu coloco neles e pelo o que eles hoje representam.

Painter

Portrait X . 2012 . 60x60cm

9- O que a cidade de São Paulo representa pra você? E como ela te inspira?

São Paulo é onde vivo, onde percebo os problemas, mas não só ela, mas como tudo o que acontece em minha volta, me inspira, viagens, amigos, problemas da sociedade e é claro minhas experiências no passado que se transformaram no que sou hoje.

10- Você tem exposições esse ano? Quais serão os próximos passos?

Tenho uma expo em grupo em São Francisco agora em maio. Em junho lanço mais um print em Londres sobre a Copa do Mundo. Em breve uma expo virtual no site da Zupi que a revista espera atingir mais de 1 milhão de visitantes durante a exposição. Em agosto se der certo faço uma rápida exposição em Barcelona e ano que vem uma individual em São Paulo. E estou conversando com galerias em NY, Israel, Líbano, França, Japão, Austrália e Canadá.

11- Por último, deixe um recado aos leitores do Mistura Urbana que curtem o seu trabalho

Valeu pelo convite e espero cada vez mais continuar fazendo um trabalho melhor e mais crítico #acordabrasil

Mais do artista: www.cranioartes.com e instagram.com/cranioartes

Cranio in Los Angeles

Cranio in Liverpool . UK . 2013

Vende-se Amazonia

Ribeirinhos . 2010 . 80x100cm

The Simpsons

 

texto e post original: Natt Naville

 

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Sobre Gustavo Brossi

Fundador do projeto Save The Animals Include You, skatista, videomaker, autoditada e acredita na humanidade.

Publicado em 24/04/2014, em Arts, Política, Ser Mais Humano e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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