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Filme – Xingu

Três irmãos de classe média alta de São Paulo fingem que são sertanejos analfabetos para conseguir se alistar na Expedição Roncador-Xingu, que visava explorar regiões intocadas do Brasil. A aventura começou durante o governo de Getulio Vargas, em meados dos anos 40. Os rapazes eram Orlando (27), Cláudio (25) e Leonardo Villas Bôas (23).

Em 1945, no Mato Grosso, eles avistam, pela primeira vez, a cabeceira do rio mítico. Em 1961, Claudio e Orlando conseguem o que parecia impossível – garantir que os índios tivessem um território demarcado. Esse período, de mais 15 anos de expedição dos sertanistas, que culmina com a criação do Parque Nacional do Xingu é narrado em clima de ação e aventura em “Xingu, o filme”. No cenário paradisíaco, os irmãos Villas Bôas são os nossos “Indiana Jones”, defensores dos indios e respeitosos com a floresta. Vamos torcer por eles e sofrer por esses heróis de carne e osso. Assim, os retratou o diretor Cao Hamburguer, com seu jeito tão especial de contar as coisas, mostrando como pequenos e grandes gestos podem fazer a vida mudar completamente — como acontece quando se vive um grande amor ou um grande luto.

No filme Quando meus pais sairam de férias, Hamburguer já tinha abordado outro aspecto da história nacional, mostrando a ditadura militar pelo olhar de um menino. Em Xingu, o filme-rio, ele nos convida a embarcar na aventura inacreditável dos Villas Bôas. Orlando, vivido pelo ator Felipe Camargo, é o articulador político que vai costurar os acordos com o poder; Claudio – numa interpretação comovente de João Miguel – é o mais idealista e o que expressa os grandes conflitos da missão; Caio Blat encarna o caçula impetuoso, Leonardo, que no meio do caminho se apaixona por uma índia e tem que sair de cena.

A sociedade da época, com influência da mídia, considera que o escândalo é o amor entre os diferentes e não a matança de índios provocada pela construção de estradas e a invasão das fazendas de gado. Por isso, quando Claudio também se apaixona por outra india, tudo é vivido em repressão e segredo. Orlando é mais feliz, pois casa-se com a médica (a atriz Maria Flor) que chega para vacinar os indios depois que uma gripe, trazida pelos brancos e que dizima as aldeias. “Somos o veneno e também o antídoto”, admitem os expedicionários, resumindo o dilema.

O ritual de aproximação com os Kranhacarores, os indios gigantes que nenhum homem branco tinha visto, é um ponto alto da película e evoca uma foto famosa de Pedro Martinelli, que viajou com os Villas-Bôas na década de 1970. Os embates que antecederam esse contato aparecem nas conversas e brigas entre Orlando e Claudio. Esse é também um filme sobre os homens e a irmandade. “Tem uma coisa neles que morre para sempre assim que a gente encosta,” desespera-se Claudio, que tentará evitar novos contatos. Em vão.

Coube aos sertanistas lutar por uma política de redução de danos. Já que eles não puderam mudar a rota da história nem da estrada, restava demarcar a reserva e mudar as tribos de lugar para impedir, que elas, literalmente, fossem atropeladas pelos tratores do “progresso”.

ESPELHOS, SONHOS E HOJE
Com badulaques e espelhos, os brancos tentam ganhar a confiança dos índios fazendo o que sabem: barganha. Mas a câmera revela o jogo dos espelhos. Na hora H, todo contato humano é apenas um homem olhando o outro. E isso sempre implica em atração e medo, mas a floresta amplifica esse frisson, e o cinema também.

As cenas de Xingu desaguam no terreno mítico das grandes chuvas e de uma lua de sonho. O ator João Miguel contou numa entrevista que, em função da agenda lotada, não aceitou de imediato o convite para o filme. Até que começou a sonhar com água e indios. Recapitou e disse sim.

Inspirada no diário de viagem dos irmãos Villas Bôas — A Marcha para o Oeste, relançada agora pela Companhia das Letras — o filme de Cao Hamburguer é uma flecha no coração. Ele documenta o encontro de dois mundos e nós sabemos que um vai massacrar o outro. É assim desde a chegada dos colonizadores, até hoje.

O lançamento é muito oportuno nestes tempos em que se discute o Código Florestal e a construção da Usina de Belo Monte. Por isso é tão emblemática a fugaz aparição do então presidente Jânio Quadros. É surpreendente que tenha sido ele a assinar a criação do parque nacional, rebatizado depois de Parque Indigena do Xingu. Na tela, Jânio recusa o termo ”indígena”, argumentando que no Brasil ninguém gosta de indio. Quase parece uma fala simplória, mas ela ecoa até hoje, já que os índios estão sob a eterna ameaça de perder a cultura, a terra, a vida.

O parque, que completou 50 anos em 2011, tem cerca de 2,8 milhões de hectares e reúne 16 etnias que falam 14 línguas. Enquanto eu escrevia este artigo, cresceu em mim o desejo de saber o nome de todos esses povos. São eles: Kuikuro, Kalapalo, Matipu, Nahukuá, Mehinako, Waurá, Aweti, Trumai, Yawalapiti, Kisêdjê, Kawaiwetê, Ikpeng, Yudja, Naruvotu, Tapayuna, Kamaiurá*2.

*Déborah de Paula Souza é jornalista e psicanalista.

*2 Os nomes das etnias indígenas foram pesquisados nos site do ISAInstituto Socioambiental

Trailer do filme:

Via Planeta Sustentável

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Sumo Projeta #2 apresenta: À MARGEM DO XINGU

Dia 14/01 acontece em Salto o 2º Sumo Projeta com a exibição do tão falado documentário ” À MARGEM DO XINGU”, contando ainda com a participação e  debate com Janaína Welle (Ass. de Direção do filme), lembrando que o 1º Sumo Projeta exibiu a produção jundiaiense “ZUMBIAHY – A CIDADE DOS MORTOS”, evento realizado pelo coletivo independente Sumo cultural.

 

Em viagem pelo rio Xingu encontramos inúmeras pessoas, moradores de toda uma vida, que serão atingidos pela possível construção da hidrelétrica de Belo Monte. Relatos de ribeirinhos, da região de Altamira na Amazônia, assim como especialistas da área compõem parte deste complexo quabra-cabeça. São reflexões sobre o passado obscuro deste polêmico projeto e que elucidam o futuro incerto da região e destas pessoas às margens do Xingu.

Direção: Damià Puig
Fotografia: Bruno Assis
Produção: Rafael Salazar
Ass. Direçã…o: Janaína Welle
Montagem: Helios Vega e Caue Nunes
Som: Cristal Estudios
Finalização: Base Filmes Paulínia
Coord Distribuição Europa: Rafaela Paiva
Coord Distribuição Brasil e EUA: Pedro Ribeiro
Ass. Produção: Carolina Rodrigues, Bruna Kassis, Flavia Ramos & Zeus Moreno
Montagem Teaser: Cels Sans

Entrada Franca

http://www.facebook.com/events/324398377580271/ Página do evento

http://www.facebook.com/sumocultural Página SumoCultural

Belo Monte, Anúncio de uma Guerra (CATARSE)

BELO MONTE, ANÚNCIO DE UMA GUERRA (CATARSE)

Uma das causas mais discutidas e nebulosas no momento é a construção da Hidrelétrica de Belo Monte. Normalmente ela é atrelada somente ao meio ambiente e à causa indígena, o que é uma simplificação.

A questão de Belo Monte condensa várias das principais causas do nosso país. E é desastrosa em todos os aspectos: ambiental, cultural, econômico, político e social.

Nosso filme tem 120 horas filmadas na região do Xingu, Altamira, Brasília e São Paulo, contendo depoimentos reveladores de envolvidos com a obra ou afetados por ela.

Fizemos um trabalho investigativo que deixa claro: Belo Monte está sendo imposta pelo governo, que não está disposto a dialogar com os índios, nem com o resto da sociedade.

Se você está aqui, já entendeu que não escolhemos o financiamento coletivo por acaso. Mais do que um filme, queremos que “BELO MONTE – Anúncio de uma Guerra” seja um ato político da sociedade, uma luta pelo acesso à informação e pelo direito de participar das decisões do país.

Queremos levantar R$114mil em 30 DIAS para terminar o filme. Parece muito, mas na verdade não dá nem pra chegar nos cinemas. Nossa meta então, é soltar o filme na internet e divulgar a verdade sobre essa obra desastrosa.

O dinheiro será todo investido na edição e finalização do filme, além de restituir pelo menos uma parte do que já foi investido até agora pela própria equipe. Foram 3 expedições ao Xingu, com inúmeros gastos em transporte aéreo, fluvial, terrestre, alimentação, hospedagem e outros aspectos de produção.

Para ver o orçamento completo do filme, clique aqui

Já são muitas as pessoas que doaram seu trabalho e seu dinheiro ao filme, e só chegamos até aqui porque sabemos que junto com vocês podemos parar essa obra desastrosa.

FAÇA UMA DOAÇÃO. Ajude a parar Belo Monte e iniciar uma discussão séria sobre a política energética do Brasil.

Contato:

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Twitter: @belomonteofilme

belomonteofilme@gmail.com

Direção: André D’Elia
Produção Excutiva: Beatriz Vilela, Francisco D’Elia
Direção de Fotografia: Rodrigo Levy Piza, Federico Dueñas
Direção de Som: Téo Villa, Diego Depane
Desenho Gráfico: Federico Dueñas
Montagem: Mauro Moreira
Ass. de Montagem: André Souza
Comunicação e Marketing: Digo Castello, Daniel Joppert, Caio Tendolini

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A pura polpa da energia?

Quem foi que disse que para se garantir energia o negócio é destruir florestas e vidas para montar “Belo Monte” em cima???

“Belo monte de merda”, essa Idea da nova “presidenta” Dilma aprovar literalmente da noite pro dia um projeto absurdo que vem sendo polemica desde os anos 70!!!

Bem como muitos de nós já conhecemos diversas maneiras alternativas de gerar energia como a luz solar ou os gigantes cata ventos eólicos, temos alguns geeks químicos inovando na área.

Um forte exemplo disso é a ação que a agencia francesa DDB criou para a marca de sucos Tropicana, a fim de reforçar a idéia de “energia natural” eles usaram alguns conhecimentos básicos em química para gerar energia a partir do ácido cítrico de 2500 laranjas e iluminar um out dor! Veja o vídeo abaixo:

Outro cara que se mostrou um gênio químico da “nuvem” foi esse cara, que ao juntar uma cebola furada com dois copos de Gatorade carrega seu Ipod sem problemas!

Inteligentes mesmo né? Esperamos que nosso governo caia na real, interrompa esse projeto absurdo da hidrelétrica “belo monte” e aproveite para inovar na maneira de abastecimento de energia nacional!

O dilema de Belo Monte

A história de Belo Monte começa em 1979, quando o atual governo pretendia implantar a terceira maior hidrelétrica do mundo no Rio Xingu. Os técnicos do governo analisaram a viabilidade da construção de cinco barragens no grande rio e mais uma no rio Iriri. Na época, a usina de Itaipu tinha acabado de ser construída e trouxe em sua bagagem grande desastre socio-ambiental, além de o país estar passando por uma crise econômica. Estes dois motivos, somados, embargaram a obra da hidrelétrica.
Anos depois, o Governo de José Sarney tentou trazer o plano de volta, porém o viu – desta vez – inviável, por conta dos impactos que ele acarretaria ao meio ambiente, assim como uma incerteza quanto a seus custos. Os povos indígenas, então, bateram de frente com o governo, quando em 1989 aconteceu o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, que ganhou repercussão internacional e fez o governo recuar. No governo FHC, quando houve um apagão, também cogitou-se a volta dos planos de Belo Monte.
O plano inicial do projeto, então, diminuiu, e, das cinco barragens que pretendia-se construir, só restou uma, além da mudança das turbinas convencionais para as de bulbo, que funcionam com pouquíssima água e exigem menor área de alagamento. Mesmo assim, ainda seria necessário um desmatamento de cerca de 12 mil herctares para a hidrelétrica.
Nas primeiras reuniões e nos primeiros planejamentos sobre Belo Monte, cogitou-se seu preço em 7 bilhões de reais que, atualmente, tornaram-se 16 e que já chegou aos 30 bilhões para as empresas que se candidataram ao leilão de concessão.

Prometeu-se uma produção de 11 mil megawatts, que não serão possíveis graças às ‘concessões ambientais’, assim denominadas pelos empresários envolvidos no projeto; o máximo conseguido será 4 mil megawatts/ano. Durante seu governo, enquanto as negociações ferviam, Lula disse que construiria Belo Monte ‘na lei ou na marra’ e, para tanto, meteu a mão no bolso do contribuinte! Enquanto isso, a Casa Civil passou a pressionar muito o Ibama para que a licença de instalação da hidrelétrica fosse dada. O órgão, então, disse que havia pouco tempo e falha em diversas informações para a conclusão desta.

Para a construção de Belo Monte são necessárias escavações de canais com mais de 30 quilômetros de extensão; 260 quilômetros de estrada são necessários construir para ligar os pontos do canteiro de obra; 20 mil pessoas serão deslocadas de suas casas para que as obras iniciem-se. Fala-se em apagão, colocando sobre as ‘costas’ de Belo Monte a tranquilidade energética das regiõe Sul e Sudeste do país. Porém, o fato de a energia ser produzida no norte e precisar de centenas de milhares de quilômetros de linhas de transmissão para chegar às regiões, é deixado em segundo plano. Sem contar o fato de que grande parte da energia produzida na hidrelétrica será direcionada a empresas que fabricam matéria-prima para exportação. Ou seja, investimento do dinheiro do contribuinte para forro dos bolsos de empresários estrangeiros.

A atual presidente, Dilma Rousseff alega que, caso não se invista em Belo Monte, é necessário investimento em energias a óleo ou carvão, esquecendo-se do potencial solar e eólico do Brasil. “O custo de geração eólica é de R$150/MWh e de usinas de cogeração a biomassa R$160/MWh”, diz Ricardo Baitelo, da Campanha de Energia do Greenpeace. “A diferença tarifária para os R$83/MWh da usina de Belo Monte obviamente não compensa os graves impactos sociais e ambientais causados pelo empreendimento.”

A pressão continua forte e a história está longe do fim – ou não.

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